sábado, 5 de setembro de 2015

Mas o que você quer com isso?


Olá!

Bem, eu gostaria de deixar claro que o objetivo do blog não é ser um "blog fitness típico", cheio de dicas e truques para deixar ninguém forte, rasgado, sarado, fitness, carnívoro, vegetariano, magro, enfim, é um blog para que a gente possa se sentir bem e promover reflexões a respeito de tudo que cerca essa onda de bem-estar e falar sobre alternativas a essa loucura que vivemos. Sou seguidora de pessoas que tem uma forma diferenciada de ver o tema saúde/peso/hábitos alimentares, e confio nessa forma de ver as coisas pois após anos de tentativas e frustrações, essa forma diferente tem me ajudado a mudar pra melhor. Só que esse é um blog de cunho totalmente pessoal

Eu gosto de falar de receitas, eu gosto de comida. Não vou dizer que sempre gostei de comer, pois quando criança o estímulo para alimentação saudável e consciente não foi algo desenvolvido em meu ambiente familiar, por uma série de fatores. Não tínhamos muita variedade alimentar, aliada a algumas dificuldades financeiras e questões comportamentais, como a falta de prazer em cozinhar e também a ideia de que alimento é simplesmente para que não morramos de fome. Pode ser gostoso, mas dava trabalho fazer assim, gastava muito, então como o básico nos sustentava isso estando presente já bastava.

Aí veio a escola, onde as crianças tinham lanches gostosos, e minha mãe quis também me dar esse direito, mesmo sendo sacrificante financeiramente. Daí bolachas, hambúrgueres, salgadinhos e cereais com açúcar começaram a fazer parte da minha rotina alimentar. Eu continuava comendo o básico, de forma ainda pior, e mais todas essas coisas, muitas vezes sem controle e em excesso. Não preciso dizer que em algum tempo ganhei peso.

Com o peso, vieram as ofensas, que se misturavam com a questão econômica, e tornavam tudo ainda pior. A falta de atividade em casa, especialmente em fins de semana trancada em apartamento, associada com comidas gostosas sem controle, não melhoravam muito a situação.

Desnecessário dizer que já nessa época, com 8,9 anos, fui me consultar com nutricionistas para perder peso. E assim tive meu primeiro contato com dietas de restrição. Não vou negar que em um primeiro momento isso não foi benéfico para minha família, pois fez as pessoas abrirem os olhos para algumas coisas que se realizavam e que não eram boas, como o uso excessivo de açúcar e óleo na preparação de alimentos. O que foi negativo foi a ideia de cortar, de demonizar as coisas, além da forma indelicada como me trataram, afinal eu era uma criança. Eu chorei no consultório, mais de uma vez.

A chegada da adolescência melhorou algumas coisas, mas não acabou com o pesadelo. Nessa época começaram as coisas mais malucas que fiz em nome de um corpo magro. Comer só frutas, comer menos, não comer, comer escondido compulsivamente....tudo embebido em muitas críticas, tanto minhas quanto de terceiros.sobre como eu deveria ser e principalmente quanto eu deveria pesar. Desenvolvi gastrite nervosa, um gatilho perigoso para o que viria em seguida: transtornos alimentares. Na faculdade, tive até uma esperança de recomeço, mas os hábitos nunca nos abandonam, e eu fui tragada novamente pela ideia de restrição, impulsionada pelo mundo virtual e blogs de anorexia e dieta. Tive então problemas sérios, que felizmente não chegaram a extremos, mas foram muito dolorosos e de difícil cura.

Comecei a namorar e ganhei peso, o que obviamente me incomodou, e decidi ir a um médico, que além de me obrigar a comer coisas que não queria, além de vários alimentos diet e light, ainda me prescreveu remédios para emagrecer. Fazia bastante exercício nessa época, então sequei rápido, mas o inferno que era viver com o coração acelerado, com fome e tendo crises de pânico foram experiências péssimas. Eu pensava que não era vida pra ninguém aquilo, mas eu não desistia de ser magra como achava que tinha que ser.

Depois disso comecei a procurar sentido em algo que não fosse só comer pra viver, nem deixar de comer pra ser parte de um padrão....mas quantas quedas ainda! Quantos regimes e dietas! Mas minha sorte foi começar a encontrar pessoas que tinham um ideal diferente, mais humano e com promoção de real qualidade de vida. Era isso o que estava procurando! Sem paranóia, sem extremismo, só explicando que as coisas podem ser mais simples. Ainda estou trilhando esse caminho da descoberta, pois após tantos anos acostumada a fazer coisas de um jeito, mudar é sempre um desafio. Tenho 26 anos, são pelo menos 18 anos lidando com o mesmo modo de encarar as coisas e de reagir, então um passo de cada vez.

Depois dessa digressão, a pergunta: "mas o que você quer com isso?" ainda não foi completamente respondida. E não será, mas a gente vai trabalhando para chegar numa resposta que valha a pena.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sobre motivações


Olá!

Uma das coisas que fico pensando, e que vejo nas andanças virtuais que faço, é a ideia de motivação. Onde vive, como se reproduz, do que se alimenta? Pior, como se faz para ter essa tal de motivação? Primeiramente, motivação para o que? 

Espera-se que quando precisamos ter ânimo, é porque temos uma tarefa a ser cumprida, uma situação a ser enfrentada. E quando falamos de saúde e bem estar, motivação supostamente seria o item mais importante que anda em falta, de acordo com muitas pessoas. Será mesmo? Será mesmo verdade que a motivação em como fim em si mesma resolveria todos os problemas? Eu acredito que não.

Quando falamos em dietas, coisa que todo mundo já fez na vida (eu fiz muitas, e vou contar como foi comigo um dia), ter motivação se resume a simplesmente cumprir aquela listinha de tarefas meio que imposta, e só. Mas e depois que a coisa termina? Muitas vezes nem vamos ver terminar mesmo, já que sabemos que dietas, especialmente restritivas, acabam sendo abandonadas cedo ou tarde. Eu abandonei várias, será que não tinha a famosa "motivação" para seguir em frente? Ou será que o jeito de levar as coisas foi o que assustou a motivação ou nem fez ela aparecer?

Não é fácil colocar a culpa em algo tão subjetivo, tão pessoal, porque cada um reage de uma forma ou de outra aos estímulos e desafios. Fato é que reagimos ou pelo amor ou pelo medo, e cada um sabe como é a melhor forma de se colocar para fazer as coisas de acordo com a situação.

Eu não nego que eu também estou em busca de uma vida saudável, mas simples e com relações menos complicadas e dolorosas com meu corpo, mas não acho que tentar ficar empurrando "motivação" goela abaixo funcione. Talvez o processo tenha que ser mais racional e menos baseado na fé ou na repetição de uma palavra que talvez tenha ficado até meio sem sentido com tanto uso.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

(Mais) Um blog sobre amor próprio




Olá planeta!

Pois é, aqui estou eu, Jéssica, mais um ser que habita esse mundo, assim como você, com um blog, o Caipirinha de Maple Syrup, que tem tudo para ser mais um blog sobre amor próprio. E isso não é necessariamente ruim, sabe por que?
Porque se amar, apesar de parecer algo que é fácil, não é. Não é para mim, não é para você, é uma longa estrada e um processo que vai durar a vida toda, pois todos nós mudamos. E falta amor no mundo. Amor nuca é o bastante, mas em um lugar onde você é pressionado de todos os lados sobre todo tipo de decisão pessoal a ser tomada, uma dose a mais de amor nunca é exagero. E especificamente quero tocar no processo de construção do amor com  nosso corpo, com o que é nossa morada nesta coisa chamada vida biológica.
Tenho aprendido muito com várias pessoas que tem nadado contra a corrente do culto à perfeição, e quero ajudar nisso, especialmente porque recentemente uma das maiores inspirações para mim, a nutricionista Paco, anunciou que vai dar um tempo no trabalho maravilhoso desenvolvido por ela, o Não Sou Exposição. Não obstante, no mesmo dia recebo a notícia de que uma pessoa linda e iluminada que coordenava um trabalho voluntário que realizo também vai se afastar.
São por essas coisas que a vida nos coloca que a gente tem que assumir que não dá pra deixar o trabalho parar, a causa morrer. Eu posso não abordar o assunto da mesma forma, mas posso dar sim minha contribuição para que a conversa não morra. E que venha mais amor!